segunda-feira, 24 de junho de 2024

O garoto que dá sorte

No primeiro segundo em que trocamos olhares naquele backstage, algo diferente bateu. De repente, entramos numa competição de quem conquistaria o outro sendo mais engraçado, e nunca mais paramos.

— Onde você tava? — perguntou o Luccas Carlos, enquanto eu perdia a noção da hora rindo das suas gracinhas. Era o sol nascendo de um lado, e o riso com flerte do outro.

Antes mesmo de nos despedirmos, eu já torcia para minha simpatia esbarrar na sua extroversão mais vezes.

E esbarraram.

As paredes dos hotéis guardam nossos sorrisos. As camas perderam a conta de quantas vezes eu perdi o ar com você. Os pisos conhecem bem nossas roupas jogadas, e os alarmes de fumaça você dribla como ninguém.

Como duas pessoas que não convivem diariamente se entendem pelo olhar? Me pergunto toda vez que estamos juntos.

Você é lindo, por dentro, por fora, do avesso. Original, no estilo, nos cabelos, na paquera.

Com uma presença marcante, é impossível não te ver. Seu brilho é único, no palco, na pista, no quarto de hotel, no boteco com mesa de plástico, na balada de boy ou na tv. 

Esperto. Rápido nas palavras, demorado nos carinhos.

Toda vez que você sussurra baixinho no meu ouvido “que sorte eu tenho”, eu te olho fixamente, pronta pra te engolir.

No nosso último encontro, você disse que eu fiquei linda com a sua camisa do Flamengo. Eu respondi: se morássemos na mesma cidade, te promoveria a meu namorado.

Acho que as duas verdades têm pesos iguais.

Você não é meu. Mas bem que podia querer ser.

sábado, 16 de março de 2024

Ele voltou

Depois de muitos anos a gente se viu.

Ele mesmo, o dono de metade das cartas de amor desse blog.

Ele, o homem de caráter duvidoso, que roubou meu coração em 2013 e levou um pedacinho com ele pelo mundo.

Ele, o homem que minha irmã desaprova. Que minhas amigas reviram os olhos ao ouvir o nome. Que se me perguntarem três qualidades eu nem sei dizer.

Ele, que me tirou o sono só com uma troca de olhares às 3h da manhã no meio de um rolé de qualidade duvidosa.

Eu te vi, você me viu. Eu tava acompanhada, você também.

Meu coração acelerou, fiquei desconcertada, sem reação, mesmo já vindo me preparando há dias pra possibilidade desse reencontro.

Não fui falar com você, não sabia o que falar, achei que você não ia me causar mais nada depois de tantos anos longe - errei.

Eu minto pros outros e, principalmente, pra mim, que nós somos só amigos, mas ficou claro que ainda tem alguma coisa aqui dentro.

Inexplicável sensação de saudade, com medo do desconhecido, vontade de abraçar e de correr pra longe, na mesma medida.

Torço por um encontro só nosso.

Eu mereço.

Você merece.

Nossa história merece.


quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

Pecado íntimo

De longe te quero perto, de perto te quero dentro, rodei o mundo e caí na tua rede outra vez.

Tu me vira do avesso e continua sendo do jeito que eu gosto. Teu olhar, naturalmente sério, é o mais sexy que eu já vi, teu beijo me devora, tuas mãos me comandam. 

Essa cara de quem não pede, manda, me enche de vontade de mergulhar, até perder o ar, entre seus dedos. 

Tu me invade com toques selvagens e me ama sem pudor, de um jeito que mais ninguém faz, passo dias sentindo nosso encontro gravado na pele, literalmente.

Desejo e perigo.

Esses dias a vontade de ser sua me rasgou sem dó em uma simples terça a tarde, sem a menor chance de realização. 

Medo e delírio.

Motivada por lembranças das cenas quentes já protagonizadas por nossos olhares cheios de vontade do outro, eu te queria mais uma vez, e mais uma, e mais uma, em sequência, na frequência que faz minhas pernas tremerem e o fôlego sumir.

Desde que minhas roupas se misturaram aos grãos de areia, em uma indecência intensa, sincera e profana, meu gemido se perdeu no sigilo e quer ecoar pela sua casa todo o dia.

Ficar presa no seu quarto, me queimando em tu, é a liberdade que eu queria pra hoje.

Amor marginal.

Coração bandoleiro.

Paixão aperriante.

sábado, 17 de fevereiro de 2024

Me reencontrei

(ler ao som de Gal Costa - O que é que há)

Nós últimos anos eu tava perdida, pessoalmente, profissional, amorosamente, e todos os "entes" possíveis no final das palavras.

Nada me preenchia, nada me agradava, me sentia vivendo no automático, não me encaixava em mais nenhum grupo de amigos, nem nas festas, nem nas conversas. Vivia com uma certeza gritando no fundo da minha alma: essa não é a vida que eu quero.

De repente um mundo de abriu, eu abri meu mundo.

Em meio a uma vila, com chão de areia, sotaques diversos, pessoas de todos os cantos, um marzão cheio de marolinha e uma prancha de longboard, eu me encontrei. Feliz, vivendo, experimentando, conhecendo e sendo.

Nunca me senti tão dona da minha vida, das minhas escolhas, das minhas responsabilidades, do meu caminhar nesse mundo.

É aqui, é assim - eu pensava.

Meu coração se enchia de possibilidades todo dia, de vontades, de perguntas e respostas.

A saudade e as lembranças de casa me puxavam pro mundo que não é mais real pra mim, muitas vezes, e mais uma vez eu me completava de felicidade, sabendo que esse sonho só tava sendo possível por ter bases familiares muito fortes e seguras e, de repente, tudo que eu vivi até chegar aqui fez todo o sentido.

Já tava no meu caminho todas as vivências, encontros, trocas e conexões.

Nem tudo são flores, nem tudo é perfeito, mas eu me propus, planejei e fui ser adulta, do melhor jeito que eu acho que dá pra ser agora: vivendo há apenas alguns passos do mar, em contato direto com a natureza, fugindo de trânsito, de transporte público e de cidade grande.

A paz que eu tanto procurava me encontrou, e a gente têm se dado muito bem, as pessoas falam que eu tô mais brilhante, mais solar, mais alto astral, mais solta, e eu concordo.

Hoje eu acordei 5h da manhã e fui ver o sol nascer na praia atrás da minha casa, só tinha eu, o mar, a areia, um arco-íris no céu e a Gal costa cantando no fone.

Escorreu uma lágrima de satisfação, que delícia viver!

quinta-feira, 16 de março de 2023

Tentação

Cheguei na sua cidade e te procurei, cheia de expectativas e vontades, você é 100% aquela letra da Baby do Brasil, calor que provoca arrepio, e eu tava doida pra sentir isso de novo.

Entrei no carro e te encontrei, mãos suando, coração disparado. Dois anos sem se ver, e em dois segundos já estava perdida no seu sotaque, no seu sorriso, nas suas mãos e entregue ao caos que você sempre foi.

Apareci do nada, tirando sua sua rotina do eixo, fazendo você perder a hora e o sono. Te digo que não quero problema, sabendo que eu que fui atrás dele.

-Eu confio em tu, tu confia em mim? 

Cinco segundos de dúvida: talvez eu não devesse, considerando as circunstâncias. 

Confio! 

E deixo tudo rolar.

Você sorri daquele jeito só seu, aquele sotaque que me desfaz por dentro, e eu me deixo levar. Mãos que se encontram, encaixe indecente e certo, olhares que falam mais que palavras, gestos que lembram instantes guardados, como se o tempo tivesse parado desde o nosso último encontro.

Você me olha por cima do ombro, como se eu fosse a única no mundo, e nesse instante tudo o que existe é você e eu.

Uma noite com você vale por mil.

Fui embora marcada,  pelo toque, pelo cheiro, pela memória que me seguirá por semanas. E, por um instante fugaz, se morássemos na mesma cidade, você e eu saberíamos que nada mais importaria.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

A vila

O sol queimava, o vento carregava o cheiro do mar, as ruazinhas de areia serpenteavam entre casas coloridas, o fim de tarde parecia feito para mergulhos e o pôr do sol roubava o fôlego.

Mas a minha história não pode ser contada em voz alta, momentos e sensações difíceis de explicar. No meio do paraíso tinha você, e o que era pra ser dica de viagem, virou texto apaixonado.

Meu coração foi arrebatado por um cearense cheio de marra, que tem o cheiro mais gostoso do mundo, uma energia que brilha como um raio de sol, e um olhar expressivo que me despia sem tocar.

Seu sorriso poderia conquistar continentes. Sua segurança me atrai sem esforço. Você me leva a dançar forró, descreve as cores que moram nos meus olhos, e toma meu corpo para sua órbita

Falamos sobre tudo, por horas, com a confiança inexplicável de dois desconhecidos. Você diz que sente como se a gente se conhecesse há anos, e a intuição grita: esse encontro só pode ser obra do destino.

Entre pranchas de surf, redes, fumaça, sotaques e o barulho do mar, a música de fundo canta " meu bem, quero ser seu namorado". E, por dentro, penso que era exatamente isso que eu queria.

Nunca me envolvi de forma tão fácil, intensa, entregue e rápida. Cada dia parecia uma semana, cada semana parecia um mês.

Cada pedacinho da minha pele sente saudades da sua, cada canto da vila onde nos beijamos ainda espera assistir outro casal se querer tanto quanto a gente, cada chão que recebeu nossas roupas jogadas assistiu, de camarote, ao tato que se transformava em arrepio.

Eu, você, cada suspiro, cada grão de areia grudado no nosso suor, cada troca de olhar sincero e afetuoso, tudo marcou a alma e sussurra baixinho: a gente se vê pelo mundo.

terça-feira, 24 de janeiro de 2023

Meu dia

Segunda, 23 de janeiro.

Olho para o relógio: 17h. A hora exata em que nasci. Lembro de você dizendo que queria estar comigo nesse momento. Te olho e não acredito que você planejou tudo assim, nesse cenário, só pra mim.

Vivendo intensamente a sinestesia do momento — o céu azul, o vento na cara, o cheiro do seu pescoço coladinho em mim, meus braços passando em volta da sua barriga — já nem reparo na velocidade. Não existe mais medo de cair, nem de mais nada do mundo. De repente, a definição de me sentir segura e absurdamente feliz virou esse momento.

Junto de um pôr do sol mágico, em meio às dunas, a gente se beijou na mesma quantidade de grãos de areia à nossa volta, entregues à pressa e à vontade, enquanto você registrava meus detalhes com sua câmera. Só existíamos eu, você e a nossa vontade pelo outro.

O tempo parou.

Eu pensava que alguém como você não existia. Mas aqui está você, rindo de mim, comigo, das minhas gracinhas, fazendo do meu aniversário uma memória única.

Você é sol. Verão. Sessão da tarde. Novela das 22h. Esporte radical. Fumaça densa. E velocidade. Me atravessa sem pedir permissão.

Não tive chance de resistir. Você me toma como o impacto de um cometa, com um romantismo selvagem que me rouba as palavras.

Você não sai da minha cabeça.