Segunda, 23 de janeiro.
Olho para o relógio: 17h. A hora exata em que nasci. Lembro de você dizendo que queria estar comigo nesse momento. Te olho e não acredito que você planejou tudo assim, nesse cenário, só pra mim.
Vivendo intensamente a sinestesia do momento — o céu azul, o vento na cara, o cheiro do seu pescoço coladinho em mim, meus braços passando em volta da sua barriga — já nem reparo na velocidade. Não existe mais medo de cair, nem de mais nada do mundo. De repente, a definição de me sentir segura e absurdamente feliz virou esse momento.
Junto de um pôr do sol mágico, em meio às dunas, a gente se beijou na mesma quantidade de grãos de areia à nossa volta, entregues à pressa e à vontade, enquanto você registrava meus detalhes com sua câmera. Só existíamos eu, você e a nossa vontade pelo outro.
O tempo parou.
Eu pensava que alguém como você não existia. Mas aqui está você, rindo de mim, comigo, das minhas gracinhas, fazendo do meu aniversário uma memória única.
Você é sol. Verão. Sessão da tarde. Novela das 22h. Esporte radical. Fumaça densa. E velocidade. Me atravessa sem pedir permissão.
Não tive chance de resistir. Você me toma como o impacto de um cometa, com um romantismo selvagem que me rouba as palavras.
Você não sai da minha cabeça.
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