No primeiro segundo em que trocamos olhares naquele backstage, algo diferente bateu. De repente, entramos numa competição de quem conquistaria o outro sendo mais engraçado, e nunca mais paramos.
— Onde você tava? — perguntou o Luccas Carlos, enquanto eu perdia a noção da hora rindo das suas gracinhas. Era o sol nascendo de um lado, e o riso com flerte do outro.
Antes mesmo de nos despedirmos, eu já torcia para minha simpatia esbarrar na sua extroversão mais vezes.
E esbarraram.
As paredes dos hotéis guardam nossos sorrisos. As camas perderam a conta de quantas vezes eu perdi o ar com você. Os pisos conhecem bem nossas roupas jogadas, e os alarmes de fumaça você dribla como ninguém.
Como duas pessoas que não convivem diariamente se entendem pelo olhar? Me pergunto toda vez que estamos juntos.
Você é lindo, por dentro, por fora, do avesso. Original, no estilo, nos cabelos, na paquera.
Com uma presença marcante, é impossível não te ver. Seu brilho é único, no palco, na pista, no quarto de hotel, no boteco com mesa de plástico, na balada de boy ou na tv.
Esperto. Rápido nas palavras, demorado nos carinhos.
Toda vez que você sussurra baixinho no meu ouvido “que sorte eu tenho”, eu te olho fixamente, pronta pra te engolir.
No nosso último encontro, você disse que eu fiquei linda com a sua camisa do Flamengo. Eu respondi: se morássemos na mesma cidade, te promoveria a meu namorado.
Acho que as duas verdades têm pesos iguais.
Você não é meu. Mas bem que podia querer ser.
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