Meses depois o canto da minha cama tá completo com a sua presença de novo.
Cheiroso e suado, descabelado e lindo, sereno e selvagem, me causando uma dicotomia desesperadora de expectativas que só a minha própria cabeça poderia criar.
Vivendo o cruel abismo entre o querer e a indiferença que a casualidade imprime no meu peito, questiono, como alguém que me devora com tamanha vontade consegue acordar e ir embora sem me devotar certezas, em palavras ou gestos?
A manhã chega e, como um fantasma, você some pela porta sem olhar pra atrás, deixando seu cheiro no travesseiro e o canto da minha cama vazio, incompleto, caótico e bagunçado, igual ao meu coração, sem saber quando será nosso próximo encontro.
Sinto urgência de futuro, mas nem a melhor taróloga conseguiria decifrar, entre cartas, búzios ou signos o desenrolar da nossa história, de tantos encontros e desencontros.
O pedido à próxima estrela cadente que cortar o céu já está decidido, carregando silenciosamente o desejo de que você me habite com a mesma voracidade que eu te sinto.
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